sexta-feira, 22 de março de 2013

PROCUREM O MANJACO/ NO BURACO/

I
Na esteira
Daquela terra
Chamada Quínara,
Uma criatura
Anónima
Vindo
De Kantoma,
De Bolama,
De Pelundo,
De Canchungo,
De Catió,
De Nova Lamego,
De Lisboa,
De Évora,
De Montemor-O -Novo,
De Alfragide,
De Alcácer do Sal,
Do Barreiro,
Do Seixal,
De Covilhã,
De Odivelas,
E agora
Em Freamunde,
Paços Ferreira,
Esta criatura
Que está sempre à procura
Do melhor para a sua família.

II

H
Há meses que não escrevo,
Pelo castigo,
Pois fui enviado
Para os confins
De Portugal,
Lá para as terras
Que não têm a compaixão dos seres,
Pois, o fim dá cabo dos que lá
Pela primeira vez chegam.

Freamunde,
Uma freguesia
Do Concelho
De Paços Ferreira,
Lá estou
Desde o passado dia 30
De Janeiro findo,
A fim de leccionar
A disciplina de História,
Deixando tudo para trás,
Como há trinta e dois anos
Deixei os meus familiares
Na Guiné- Bissau,
Essa terra
Apetecida
Mas proibida
Pelos militares
Aqueles abutres
Devoradores
De seres
Seus semelhantes,
Seus parentes,
Suas próprias gentes.


IV

Hoje,
Estou em Lisboa
A fim de passar
A Páscoa com a minha
Família,
Os meus filhos
E a minha mulher,
Para depois,
Regressar a Freamunde
A fim de terminar o Ano Lectivo,
Isto é, se Deus quiser,
Pois, apenas estou apenas a substituir
Uma colega professora
Que está de Licença de parto.

V

Triste
E como sempre ,
Sem ninguém,
Recorro-me ao computador
Para registar a minha dor,
A falta de amor
 Ao meu redor.

PV CITY ( SÁBADO- 00H30 MINUTOS) , 23 DE MARÇO DE 2013.

                                           KANKAMBAL (NDO)

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