quinta-feira, 27 de setembro de 2012
O CONTRATADO/ DESEMPREGADO/
I
A cada dia
Que passa,
Este govreno arrasa
A classe média;
Pisa
Os mais desfavorecidos,
Os desempregados,
Os contratados
Em vários empregos,
causando cada vez mais estragos,
E, consequentemente,os perigos
Da divisão
Da própria população.
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
A SOMBRA/ QUE SE ESPERA/...
I
Mãe
Não é como o pai
Que nos abandona,
Que nos engana
E vai-se embora
Sem uma única palavra.
II
Em todas as horas,
Em todos os momentos
A mãe tem em mente
As imagens dos filhos
Que gerou
Do seu próprio ventre.
III
A Mãe
É um suporte,
Um estandarte,
Um pilar
Que não nos deixa vacilar
Uma mulher,
Um ser
Sensível,
Meigo,
Que encolhe o estômago,
Que faz todo o possível
E o impossível,
Para que todos tenham um abrigo,
Para que todos tenham alimento
Sob (debaixo do ) o mesmo tecto.
IV
A Mãe
Está
Sempre presente.
Mesmo ausente,
Nos protege,
Porque nunca está longe,
Porque, como nos ama,
Sempre nos estimula,
Sempre nos fala,
Nos anima;
Suporta
Tudo o que se lhe conta,
Tudo o que diz
Respeito
Aos seus filhos,
Porque quer
Que cada um seja filiz.
V
O Pai,
Esse "bandido"
Que está em todo
O lado,
Não sabe
Nada,
Não Sente
Nada
Pelos filhos.
VI
É um vigarista,
Um turista
Que apenas aldrabou,
Fintou
A mulher
Para ter
O prazer,
Saciar
A carne,
Fazer-se de hospede
E depois bazar...
VII
A Mãe,
É a sombra
que sempre se espera,
Porque nos sossega,
Porque é muito amiga.
ESAS(ESCOLA SECUNDÁRIA ALFREDO DA SILVA-3ªFEIRA), EM BARREIRO, 24 DE OUTUBRO DE 2006.
MATTOS(NDO)
NHA/ NHANHA/ É TODA MINHA
I
Minha mãe,
Meu pai,
Duas pessoas
Bastantes especiais
Pra mim.
II
Adoro-os
Bastante!
Eles estão
E estarão
Sempre no meu coração
Com muita emoção
E muita devoção.
III
Esta senhora,
De eztrema oçura,
De extrema candura,
Nasceu numa terra
Cheia de fartura
Para cada criatura!
IV
Segundo reza a história,
Essa senhora
Se chamaria
De Nhanha,
Que desconheço a sua "mantenha"(1)
Naturalmente(obviamente),a sua façanha
D,outrora.
V
As pessoas
Ao meu redor,
Tinham muitas mágoas,
Tinham muita dor
De me disserem a verdade,
Da real realidade
Da minha vivência,
Da minha existência.
VI
Essa senhora,
Essa criatura,
Que nuncavia a sua cara,
Se calhar, a Câmara
Onde nascera
Me possa auxiliar,
Me possa auxiliar
Com o seu retrato,
Com o seu rosto
Em outro ponto,
Para refriar o meu sentimento,
E,consequentemente,atenuar
O meu sentimento.
VII
Queria que essa fase triste
Da minha vida,
Fosse compensada
Pelos estudos
Dos meus filhos,
E que ficasse orgulhoso
Dos filhos
Ambiciosos
Que eu tenho,
O meu grande sonho!
VIII
Essa senhora,
Essa quimera,
Misteriosa,
Desconhecida
Pelo seu "kodé"(2)
Kambleche,
A sua própria mãe
Que se chamava,
Simplesmente Timanane,
Que significa
Na minha língua materna,
O manjaco,
Bem vestida, janota.
IX
Aos meus queridos filhos,
Francisco(Coloca,Neuzanda, Domingas(Duka Sammy) e António(Khalifane),
Quero que saibam
Que vos amo muito
E só o deixarei de fazer,
Com o fim da minha vida.
LISBOA, 22 DE JUNHO DE 2007.
MATTOS (NDO)
#1. Cumprimentos em crioulo(língua de comunicação na Guiné entre as várias tribos).
#2. 0 filho mais novo, o último, em crioulo.
O HOMEM/ E A SUA ORIGEM/
I
Muitas das vezes,
Algumas das pessoas,
Não sabem
As suas origens;
Não sabem
Donde descendem.
II
Mas lutam
Por elas próprias
Para conseguirem
As suas próprias imagens;
E, a partir delas,
Constituírem os seus impérios,
As suas origens,
As suas imagens,
Numa só palavra,
As suas raízes.
III
Outras,
Com histórias,
Com descendências,
Com referências
E deixam andar,
Isto é, estão-se nas tintas;
Não querem saber de nada,
Porque repousam em boas tendas;
São cobertas com boas mantas;
Não se esforçam,
Não lutam,
Não se empenham,
Porque ainda têm o esteio,
Ainda têm o suporte.
IV
No entanto,
Segundo a minha conceção de vida,
Essas pessoas deveriam esforçar-se
Ainda para preservarem a tradição,
Para manterem o seu próprio nome.
V
Khalifane,
Aquele que pensa
No dia de “fane”(1),
No amanhã
Que se sonha
Onde tudo se repousa.
VI
Com os pés
Bem assentes
Na terra,
Seja uma criatura
Simples e humilde,
Um ser com uma certa personalidade.
VII
Ó Khalifane,
Pensa no “fane”,
Aquele que te dignifique,
No amanhã,
Para não passar
Vergonha,
Para não passar
Humilhação,
Para não passar
Vexame,
Pelo grande nome
De Matos,
De Mengo,
Respetivamente,
Grande lavrador/grande agricultor
E grande comerciante.
Portanto,
Confie nas tuas forças,
Para venceres as tuas fraquezas.
VIII
Ó Docudjune,
Ó Khalifane,
Ó Timanane,
Ó Mattos,
Ó Mengo,
Quero que cada um de vós
Ilumine
O pequeno Khalifane.
MÊS(MERCADO DE ENCARNAÇÃO SUL- SÁBADO)LISBOA, 18 DE MARÇO DE 2006.
MATTOS (NDO)
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
O PALÁCIO/ DO SILÊNCIO/ E DO ÓCIO/
I
O rasgo
Do rego,
Do umbigo
Ou do estômago,
É sempre um perigo
Para qualquer
Amigo,
Para qualquer
Ser
Humano,
Em qualquer
Trono.
II
Acordar
Sem nada
Revelar,
Sem nada
Recordar
Do dia anterior,
É Buma dor
Que nos impõe calar
Às vezes
Ou mil vezes.
III
No palácio,,
Vivem:
O Rei,
A Raínha
E as duas princesas
Tão lindas e formosas!
Uma divisão
Tão ampla,
Tão vasta,
Imensa
Onde estão imersos
Estes intervenientes.
VOLVIDOS/, PASSADOS/ DEZASSEIS ANOS/EM PLENOS/SONOS/
I
Mãe “ESTE”,
Foi assim
Que partiste
E deixaste
Sem mais palavras
As tuas criaturas!
Foi o fim
De tudo
Que criaste
Neste Mundo.
II
E eu
Suportei,
Aguentei
O peso
Do teu
Excesso
Neste
Mundo,
Que eu
Apelido
De “ESTE”.
III
O choro
Da tua partida
Foi um coro
Em mais de uma década.
IV
Uma década
De sofrimento,
De pranto,
De susto
Em susto,
Por cada
Partida
Que a vida
Foi pregando
Ao teu ” Ndo “,
Querido
E amado
E aos teus filhos,
Que também seguiram os mesmos trilhos.
V
“ESTE”,
Apesar de tanto
Tempo
No espaço,
No meu peito,
Continua o meu afeto,
O mesmo laço
Afetivo,
Continuando com o mesmo objetivo,
Com a visão no mesmo campo.
VI
“ESTE”,
A mim,
Deixaste
A missão
De continuar
A amar,
A educar
Os nossos filhos,
Com os mesmos conselhos
E sempre te
Disse, sim,
Minha “ESTE”:
Comprometo-me
Em meu nome.
VII
Hoje,
Bem longe
Disso,
Nada se verifica,
Nada fica
Do que te
Prometi,
Pois, fracassei,
Pois, falhei.
E hoje,
Estou no fosso,
No lodo,
Estou totalmente
Fracassado,
Sempre desempregado,
Porque não sou de quadro,
Não sou de Setembro.
IX
Mãe “ESTE”,
Só TE
Prometo
Continuar a ter fé,
Enquanto tiver saúde,
Fazendo finca-pé,
Com a esperança,
Força
No mesmo projeto.
X
“ESTE”,
Continue a alimentar,
A iluminar,
A ensinar,
A mostrar
O caminho
Mais certo:
O sonho
Da vida
Regrada,
Sobretudo
Do teu querido
Toninho.
PV CITY (5ª FEIRA- 10H20M), 20 DE SETEMBRO DE 2012.
MATTOS (NDO)
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